Diz a música que o tempo pode afastar. E o Faz. Minha insatisfação diz respeito estar anos-luz à frente de qualquer vaidade, de qualquer holofote. Há, de mais, figuras que conquistam-se pela grana. E desde qdo está a venda um ser autêntico?
Maurice De Vlaminck- Le Restaurant - Marly / Paris.
"Meu Vinicius de Moraes Não consigo te esquecer Quanto mais o tempo passa Mais me lembro de você
Cadê meu poetinha? Cadê minha letra, cadê? E morro neste piano De saudade de você”
Por aqui:
Friozinho sereno, sol mais do que sorridente, céu azulíssimo pós chuva bacana de ontem à noite. Apê limpinho, um brinco. Fiz bacalhoada no forno à espanhola, que é pra mór de não rejeitar a ascendência, e outro à " La Conde de la Guarda". Vc não faz idéia do que é este prato. Má nem fará mesmo. Só casando.
***
Sei lá não sei. Sei lá não sei não... nhé.
Querido Diário
Daqui vai um beijo, um abraço de ursa, um sorriso que inebria, um afagar de menina, um roçar com malícia, uma gargalhada delícia, um gemido de dor, de calor e de saudade.
Semana cheia de surpresas boas. Meus pais e irmã vieram pra cá. Saudade matada depois de tanto tempo sem vê-los. Engraçado como as relações se estreitam depois que a gente parte. Meu pai ficou comigo meio que no grude. Pediu-me até almoço especial. Pena que os 4 dias já se foram e muito mais pela incerteza do que estará porvir.
Nunca é palavra que não consiste.
Rola por aqui a Virada Cultural Paulista. Zumbi pura. Varei a madrugada. Estou a poucas quadras da Estação Ferroviária - prédio belíssimo tombado pelo patrimônio e transformada em Casa de Cultura. Ontem vi Balé, Paris Le Rock, Beatles Cover, Violeta de Outono e Ultraje a Rigor. Hoje de manhã corri pra ver a Orquestra de Viola Caipira, e Ilú Oba De min. Agora, depois do almoço verei Banda Seu Chico - Releitura de FRANCISCO BUARQUE DEHOLLANDA, sim senhor, depois verei Arrigo Barnabé ,lá no Municipal, e pra fechar o CRAMUIÃO: Almir Sater.
Sim, tem que estar apto.
Faz tempo que não venho.
Só agora instalaram o telefone. A Telefônica, definitivamente, é ruim em qualquer lugar onde opera. Foi o maior reboliço para eu conseguir uma linha. A Internet é discada, para - só - depois da adesão, eu poder pedir uma banda larga. Tá tudo muito bem. Tá tudo certo. Adoro o que faço e a cidade é super. Os jovens lá do Médio são tu-do. Do fund ...uau... minha praia, esteira e bronzeador. Saudade do meu pai. Da minha casa. Da casa da praia. Do conforto. Da segurança. E de Sampa. Total. Finde trará um bocado de cultura: Virada cultural em dois dias: Almir Sater, Violeta de Outono, Orquestra de violeiros, Ultraje, Teatro Municipal, Quarteto de cordas, Fila, Shows a duas quadras de casa.
Paul McCartney and Friends Change Begins Within Concert in 04/04/2009.
Cartinha a um Francisco:
(Pra voce...)
Onde estará o meu amor?
Cidade - Educação
São João da Boa Vista apaga luzes por 60 minutos em evento
Crianças do Fund 1 - Unidade Externato Santo Agostinho - Ensino Integral
Marly Ramos - Coordenadora e Orientadora Educacional na Unidade Externato Santo Agostinho - Colégio Integral
por Luiz Gustavo Gasparino
Neste sábado, dia 28 de março, a partir das 20h30, acontece o ato simbólico mundial "Hora do Planeta", evento idealizado pelo Fundo Mundial Para a Natureza (sigla WWF em alemão), no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global. O Colégio Integral é a primeira instituição a se movimentar. Alunos e professores realizarão uma passeata nesta quinta-feira, dia 26, às 11h45, onde serão entregues uma vela simbólica e um panfleto com explicações sobre o evento. A Prefeitura Municipal também estuda uma maneira de aderir ao movimento, no sábado. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos de sua sala, por exemplo, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas. É o momento em que toda população, em especial no Brasil, precisa demonstrar que está atenta ao problema do aquecimento global e disposta a tomar as atitudes necessárias para reduzir estas ameaças. "Queremos que os brasileiros se juntem a um bilhão de vozes em todo planeta, chamando os líderes mundiais a assumirem sua parte na solução do problema", informa o site do evento. O ano de 2009 é crucial para o futuro do planeta, pois os países precisam assinar um acordo internacional com medidas para combater o aquecimento global. Será um ano de mobilização para que, na 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, na Dinamarca, haja um acordo para reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa.
"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar".
"Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar”.
"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado".
Família veio pro carnaval com desculpas de saudades. Pois é. A gente só dá valor quando perde. Aliás, poucos sabem onde estou de verdade.
Quando entro no trabalho as lojas estão fechadas. Corro para o segundo, duas quadras além. Quando saio elas já fecharam. Conclusão: bati meu próprio recorde e fui promovida. Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Por enquanto.
Faz tempo que não apareço. Nem tempo de ligar pra casa. Mas tá tão bão...
Ô vida, atravesso a rua, proseio, delícia, abraços, risos, tempo passa, almoço, descanso, caminho, dois quarteirôes, rio, converso, mães, pais, educadores, jardineiro, cozinha, serviços gerais, enfermaria, reuniões, supervisão, chefia, rio, tempo passa, retorno, caminho, respiro, respiro, respiro, clube, RPG, academia, abraços, ducha, cremes, mãos, pés, bunda, olhos, face, pescoço, unhas, atravesso rua, cama limpa e macia, felicidade. Segundo a OMS, falta um tiquinho só pra alcançar o mais completo bem-estar. Só um tiquinho. Mereço.
Decisão interpretada e assumida. Já mandei as malas. Darei um upgrade na minha vida. Será, a partir de desta semana, uma epifania. Um marco. No sentido literal e filosófico. Experiência que devo a mim mesma. Sair de casa e ir ao encontro da efetivação de um planejamento estratégico cujo o objetivo é realizar-me como profissional. Desafios. Fazer valer pela diferença. Nas coisas que acredito veementemente e que faço por merecer. Ca-la-ro que estou ansiosa e assustada. Mas daí eu repenso que a ansiedade só consiste se eu viver antecipadamente todas as possibilidades futuras de recompensas e ou infortúnios. Do que poderá acontecer. Mas se o futuro está porvir, por que devo sofrer? Perco o presente, né não? E isto eu não quero mais pra mim.
Censura?
O talentosíssimo e premiado maestro John Neschling foi demitido da Osesp. E por e-mail. Parece que virou moda não ter mais ética pra coisa alguma. O ex-presidente FHC e atual presidente do Conselho de Administração desta Fundação acatou decisão unânime e assinou embaixo. Reza a lenda que foi a mando do governador Serra. Àquele. Pelo que entendi na nota, o motivo do afastamento deve-se ao fato de que o maestro polemizou nas opiniões em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo. Neschling assumiu a Osesp em 1996 a convite do governador Mário Covas. Em 12 anos de trabalhos deu à cidade concertos semanais na Sala São Paulo, cujo ingressos eu saia aos tapas. Casa trilotada. Sempre. Viabilizou adesões de assinantes que hoje chega na casa de uns dez mil. Gravou mundo afora, recebeu prêmios e colocou a Osesp dentre as maiores e melhores orquestras do mundo.
Procê John Neschling: Um forte abraço de agradecimento. Vibro para que o Conselho expurgue o erro e retome conversação. Mesmo.
Cary e Ingrid.
(The man I love-Billie Holiday).
Aborrecida até a alma. Soube agora da perda um homem ímpar: Hilário Fracalanza. Um dos amados filhos da tia Amélia. Outra amada. O conheci ainda menina, porque somos meio aparentados por aceitação. Aquelas coisas da tia que é sobrinha da mãe que é prima e tal e coisa. Estes meninos da tia Amélia, sem saberem, foram referências na minha vida e eu, particularmente, fã de carteirinha do Hilário. Mas fã mesmo. Eu e a tia Luchina. Admiradoras. Particularmente. Dele e do cachimbo que pitava com charme, sim senhor, de ajoelhar e pedir ajuda aos céus, tamanha elegância de gestos. Morava em Campinas com a família, (filhos lindos), e atuava na Faculdade de Educação na Unicamp. Seu irmão Eduardo, outro amado, comentou comigo sobre o doloroso tratamento( pâncreas), já no sepultamento da tia Wilma. Outra amada. Porque eu só os via em enterro. Todos da família dos amados. Até que chegou um momento em que todas as tias fizeram a passagem e a gente perdeu contato. Do prof. Hilário guardarei as nossas prosas todas sobre educação e sociedade, dos projetos no terceiro setor e a maneira calma como sabiamente administrava o saber ouvir, para depois falar. Pausadamente. Como fazem os nobres. Fiquei chateada mesmo. Triste. Mas muito. Escrevo com nó na garganta. Já falei aqui em outras datas: cada vez me sinto mais orfã.
Playing for change:Stand By Me.
Pra marejar.
Tô jogando uns lero fora.
O outro lá, que está em alto-mar, sinta que tédio, manda me dizer, via parente, do passeio de navio com a dinastia toda a tiracolo e dependurados no bolso do pobre. Disse que chove e faz frio, chove e faz frio. Não desceram nem pra comprar souvenirs. Má nem respondi que não tenho paciência pra gente tonta das idéias. Baita viagem de sonho e o panaca me reclama da chuva. Aliás, por mim voltariam nadando. Que é pra abrir o peitoral e oxigenar o cérebro pra mór de dar valor às coisas, inclusive à chuva.
Então. Caso do genitor tá complicado mesmo. Agora deu pra me chamar de linda. E linda daqui e linda de lá. Vem aqui linda. Observe a minha cara. Eu tento ficar séria, deus é testemunha que não desminto e nem questiono. A verdade um dia vem à Luz. Fazer o quê.
Sonhei como há anos não o fazia. Porque dormi. Vai ver foi isso. Sonhei colorido. Um cara legal, com uma luz verde no umbigo, me dava um puta abraço de urso. Sabe aquele abraço em que as mãos se cruzam nas costas, fazem a volta e amarram-se em laço apertado pra nunca mais soltar? Acordei em paz, procê ver como foi bão.
Pronto. Desintupirei.
O Brasil é dos brasileiros: Não entendo. Juro. Tenho a maior consideração pelo governador do Roraima. Porque haja. 7% de área administrável e 93% empossada. Reserva de índios Macuxis, etnia majoritária, dos não índios, reserva do patrimônio e oscambaus. O que pode e o que não pode. E a porcaria do governo federal, porque é nestas horas que se vê quem está no poder, desembesta satisfações num discurso fraudolento. Arranca tudo de lá de uma vez. Arranca tudo e entrega pra Tupã. Deixa a fronteira livre pra invasão total. Aliás, se os americanos, os donos do universo e policiais do cosmo, aqueles lá que matam seu líderes e o restante dos homens, se um dia quiserem de verdade invadir tudo aqui, serão recebidos com festa. Escreve. Com direito à bateria nota dez da Padre Miguel.
Que é pra aliviar o conflito.
Lição de Casa: "O menino do pijama listrado"; "A sombra do vento"; "A menina que roubava livros"; "A distância entre nós"; "O guardião de memórias".
(Que é pra colorir a alma. Parar, pensar, reciclar, refletir e apreender. Desembaraçar-se das fêmeas-lobas).
Desenho no papel sofite um bonito painel com palavras soltas. Ficou bacana. Costuro então, brincando e sem pressa, um esboço da sinopse rabiscada com caneta verde.
Amo o nome Francisco. Adoro Fernando Pessoa. Nasci de oito meses. Já estudei natureza morta. Acredito no deus dos descrentes. Já achei que era adotada. Sou pontual. Detesto lerdeza. Penso como os homens. Treino pra ficar invisível. Ainda quero o homem da minha vida. Um dia vou ter um Almeida Júnior. Amo Ariano Suassuna. Adoro Saramago. Já beijei um judeu. Um dia vou com você pra Mykonos. Já fui militante política. E já corri da polícia. Não tenho medo da morte. Adoro espelhos. Me identifico com os Dows. Já fiz tchau pro Paul MacCartney. Não preciso emagrecer. Coleciono Havaianas. Nasci anômala. Não tenho medo de tirar sangue. Faço macarrão em casa. Já fingi ter catalepsia. Não tenho medo de barata. Já fiquei pelada na praia de nudismo. Já fui assaltada. Li Simone de Beauvoir. Amo reler Clarice. Já estudei psicanálise. Não durmo bem. Não ligo para dinheiro. Nunca colei na prova. Já adoeci de amor. Já quis ser amante do Seal. Não conheço marcas de carros. Já abracei Emerson Fittipaldi. Adoro surpresas. Já fiz análise. Não gosto da palavra hipócrita. Tenho medo de estupro. Sofro de premonições. Amo gente simples. Já fui crédula. Adoro andar de salto alto. Já namorei professor. Amo meu cabelo. Já gostei de cinema japonês e do leste europeu. Já grudei a língua no congelador. Ainda sofro de saudade. Já beijei a mão de Mikhail Baryshnikov. Já quebrei duas vezes a mesma perna. Sei fazer rir. Sei rir de mim. Sou hiperbólica. Queria ser cuidada. Já abracei Alceu Valença. Não suporto nada arrumado. Sou leal. Já estudei francês. Nunca trai. Já mijei na piscina. Adoro usar vestidos. Cuido dos meus amigos. Amei poucos e muito. Já roubei no jogo. Cozinho muitíssimo bem. Já cai na escada rolante. Amo papelaria. Adoro plantas. Detesto quem me tire a liberdade. Amo Benício Del Toro. Já perdi RG. Não posso beber conhaque. Sei costurar. Já estudei inglês. Durmo só de camiseta. Já abracei FHC. Amo óperas no Municipal. Já sonhei com você. Queria ter voz de Maria Callas. Sinto ciúmes só de quem admiro. Amo True Colors. Queria morrer e voltar. Já fui cestinha. Já desmaiei em baile de debutantes. Amo beijar a boca. Já abracei Antonio Gades. Sei consertar chuveiro, ferro, batedeira e televisão. Guardo papel de bala. Já tomei choque na língua. Guardo bilhetes de amor. Já paquerei em velório. Sou mais em tudo do que poderia. Já fui muito feliz. Adorei As Brumas de Avalon. Já nadei pelada no mar. Já abracei Elis Regina. Choro com o Hino Nacional. Detesto gente grosseira. Já sei perdoar. Adoro meus olhos. Já apanhei muito no lombo e na alma. Já fui na casa do Guilherme Arantes. Já andei de Mercedes. Já beijei um ator da Globo. Falo espanhol. Perco sempre meus óculos. Tenho ciúme dos meus vinis. Já quis ser mãe. Tenho medo de mais decepções. Já abracei Ricardo Prado. Faço alongamento. Coloco o pé na testa. Amo Chico Buarque. Já aprendi a gozar. Ainda viro cambalhotas. Já guardei ressentimentos. Amo a palavra pérola. Odeio a Karen Carpenter. Queria ser bicha. Não confio em mulher de voz mansa. Não gosto de botox. Bato de frente com gente pedante. Adoro rezar. Amo Santa Rita. Aprendi que a gente dorme com o inimigo. Falo sozinha. Tenho uma dobra da orelha diferente da outra. Minha vó tinha olhos de David Bowie. Queria beijar o Judie Law. Amo cheiro de terra molhada de chuva. Odeio sutiã que aperta. Já fui pra Disney. Tenho um baita bom humor. Vi 9 vezes Blade Runner. Ainda pularei de paraquedas.
Queria ser o teu jardim.
" Pra quem ficou vai um beijo um gosto, um gesto, um grito enorme, uma lágrima oceânica, uma esperança vulcânica, um esperar breve, uma brisa leve como carinho, um tiquinho do sal do mar e do suor do amor. Uma gota de sangue derramado (pra luta não ser esquecida). Um pouco da minha solidão, um poço de água fresca, um abraço de carne e osso. Ah! Os raios de sol têm o gosto da tua boca".
A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único. O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-se nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu. Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós. A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
Carlos Drummond de Andrade.
Segundo Drummond, João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. E o Chico que ouvira falar do caso, ratificou com sabedoria: Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
E ninguém matou ninguém e nem morreu por amor. A vida não imita a arte.